Empresário e autônomo: como separar o dinheiro da empresa do seu
Quando a conta da empresa paga o mercado e a conta pessoal cobre o fornecedor, ninguém sabe se o negócio dá lucro. Veja como definir um pró-labore, lidar com a renda variável e separar os caixas.
Para quem tem empresa ou trabalha por conta própria, existe um problema que o assalariado não conhece: o dinheiro do negócio e o dinheiro da família vivem na mesma gaveta. A empresa paga a escola das crianças, o cartão pessoal compra o estoque, e no fim do mês é impossível responder a duas perguntas básicas: a empresa deu lucro? Quanto eu ganhei?
Por que a mistura custa caro
- Você não sabe o resultado real do negócio, e decide preço e investimento no escuro;
- Não sabe o custo real da sua vida, e não consegue planejar a pessoa física;
- Em um mês fraco, a família sente na hora, porque não há separação nem reserva;
- A confusão entre os patrimônios pode trazer problemas fiscais e jurídicos.
Passo 1: contas separadas
Uma conta para a empresa, outra para a pessoa física, e cartões distintos. Parece óbvio, e é o passo que mais gente adia. Sem ele, todo o resto vira trabalho de detetive.
Passo 2: defina um pró-labore
O pró-labore é o seu salário como quem trabalha na empresa. Ele deve ser um valor fixo, transferido em um dia fixo, compatível com o que o negócio suporta nos meses ruins e não só nos bons. A família passa a viver desse valor, e o orçamento pessoal é montado em cima dele.
Passo 3: lucro tem data
A distribuição de lucros é a segunda remuneração do dono, pelo capital e pelo risco. Ela deve acontecer depois de apurar o resultado, em datas combinadas, por exemplo a cada trimestre. Esse dinheiro extra é o candidato natural a reforçar a reserva e os objetivos de longo prazo, não o padrão de vida do mês.
Renda variável pede reserva maior
Quem tem renda que oscila precisa de mais fôlego. A reserva da pessoa física deve cobrir de seis a doze meses de gastos, e a empresa precisa do próprio capital de giro. São duas reservas diferentes, com finalidades diferentes. Usar uma para cobrir a outra é voltar a misturar.
Quando um socorre o outro
Acontece de a pessoa física colocar dinheiro na empresa ou a empresa adiantar valores ao sócio. O importante é registrar: é empréstimo, aporte de capital ou adiantamento de lucro? Com registro, a conta fecha depois. Sem registro, vira um buraco que ninguém explica.
A empresa pode ser o seu maior patrimônio. Mas ela só aparece como patrimônio quando deixa de ser a sua carteira.
Enxergue o conjunto
Separar não significa perder a visão do todo. O empresário precisa das duas coisas: os caixas separados no dia a dia e uma visão consolidada do patrimônio, que some o que está no nome da pessoa física com a sua parte em cada empresa.
Como o PFHold trata pessoa física e empresas
No PFHold cada conta, bem e dívida tem um titular: a pessoa física ou uma das empresas. Você vê cada um separado e também o patrimônio consolidado, que considera a sua participação em cada sociedade. O fluxo de caixa mostra as transferências entre os titulares sem contá-las como receita ou despesa.
Perguntas frequentes
O que é pró-labore?
É a remuneração do sócio pelo trabalho que ele presta à empresa, equivalente a um salário. Deve ser um valor fixo, pago em data fixa, compatível com o que o negócio suporta.
Qual a diferença entre pró-labore e distribuição de lucros?
O pró-labore remunera o trabalho do sócio e é pago todo mês. A distribuição de lucros remunera o capital e o risco, e acontece depois da apuração do resultado.
Por que não misturar as contas da empresa e as pessoais?
Porque a mistura impede de saber se o negócio dá lucro e quanto a família gasta, dificulta o planejamento e pode gerar problemas fiscais e jurídicos.
Quem tem renda variável precisa de reserva maior?
Sim. Para autônomos e empresários, a reserva pessoal costuma ser de seis a doze meses de gastos, além do capital de giro próprio da empresa.
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